Equipe do Orla Sem Lixo realiza campanha de coleta de dados e amostras na Ilha do Fundão 

Parte da equipe presente na segunda campanha de coleta. Foto: Rebecca Henze/Orla Sem Lixo

Diferentes frentes de atuação do projeto Orla Sem Lixo uniram-se para realizar a segunda campanha de coleta de dados e amostras na Baía de Guanabara. Os materiais ajudarão a verificar a qualidade da água e a caracterizar o lixo flutuante, além de auxiliar na identificação das correntes que influenciam na movimentação da água e dos resíduos.

As atividades tiveram como base o píer do Parque Tecnológico da UFRJ, na Ilha do Fundão. Membros de laboratórios de Oceanografia, Química, Hidrodinâmica e Biologia participaram do trabalho de campo, realizado no dia 3 de fevereiro.

Utilizando uma embarcação, pesquisadores executaram medições de corrente e coletaram as amostras de água e plástico, material predominante no lixo flutuante. O trabalho foi realizado no barco de um dos pescadores da Vila Residencial da UFRJ, em uma articulação dos saberes técnicos aos saberes locais de quem atua diariamente na região.

As amostras serão analisadas para determinação da composição química e dos contaminantes associados. O Laboratório de Bacteriologia Molecular e Marinha da UFRJ estuda desde 2018 as bactérias presentes na Baía de Guanabara. Segundo a professora Marinella Silva Laport, a proposta com o material coletado é encontrar bactérias patogênicas resistentes a antibióticos. 

“Também objetivamos isolar bactérias degradadoras de plástico, para observar um potencial biotecnológico nessas bactérias e tentar pensar em algo que aproveite a própria biodiversidade para remediação do local”, explicou Marinella.

Durante a campanha, uma bóia foi colocada na água para medição de onda e corrente. Um marégrafo também foi instalado. O Laboratório de Hidrobiologia, do Departamento de Biologia Marinha da UFRJ, que monitora a qualidade da água da Baía de Guanabara há 22 anos, utilizou um equipamento de amostragem contínua para obter resultados em tempo real.

De acordo com o pesquisador Fernando Neves Pinto, o equipamento possibilita verificar, por exemplo, como o nível de oxigenação da água se comporta conforme a variação de maré. “É uma tecnologia recente, que diminui a necessidade de levar ao laboratório, de processar e esperar o resultado daqui a uma semana”, analisa.

O trabalho de campo na Baía de Guanabara é necessário para o desenvolvimento de uma solução para o problema do lixo flutuante. A coordenadora do Orla Sem Lixo, Susana Vinzon, destacou a participação da equipe técnica nas atividades, conferindo um caráter multidisciplinar ao projeto: “Essa integração de saberes não é apenas com as comunidades, mas também entre as frentes de trabalho e diferentes disciplinas”, lembra Susana.

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