Volume de lixo no mangue surpreende pesquisadores

Professor Marco Aurélio Louzada em meio ao lixo depositado no manguezal. Foto: Clara Borba/Orla Sem Lixo

Pesquisadores do projeto Orla Sem Lixo foram surpreendidos pela grande quantidade de lixo flutuante que se deposita nas áreas de floresta de mangue, na Ilha do Fundão. O volume elevado de resíduos foi verificado durante uma campanha de reconhecimento e medição das árvores de mangue, realizada pela equipe que estuda as florestas de mangue.

O trabalho de campo ocorreu nas áreas de manguezal localizadas nas proximidades da Vila Residencial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no dia 17 de março. A quantidade de lixo cobrindo o solo do manguezal foi superior à encontrada pela equipe em outras áreas, visitadas durante os meses de dezembro de 2021 e janeiro de 2022.

Participaram da atividade o professor Marco Aurélio Louzada, do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), e a estudante Clara Borba, graduanda em Ciências Biológicas pela UFRJ. “Para além do olhar técnico, brota um sentimento de tristeza e, muitas vezes, impotência frente à enorme quantidade de lixo que se acumula no solo do manguezal”, afirma Clara.

Com a ação das marés, o lixo flutuante invade o mangue, fica aprisionado entre as raízes e recobre totalmente o substrato, impactando a dinâmica do ecossistema. A esperança é que projetos como o Orla Sem Lixo possam interceptar e dar destino correto ao lixo flutuante. Segundo Clara, o grande objetivo é “modificar o cenário com a regeneração progressiva da fauna e flora e promover o bem-estar da comunidade usuária das áreas de manguezal”. 

A área de manguezal onde ocorreu o levantamento de dados em campo foi indicada pelo Laboratório ESPAÇO de Sensoriamento Remoto e Estudos Ambientais. O laboratório, vinculado ao Departamento de Geografia da UFRJ, integra o projeto e é responsável pela caracterização e mapeamento do mangue. O sensoriamento remoto é realizado por meio de imagens de satélite.

Deslocando-se pelas raízes escoras do mangue-vermelho

Com a alta densidade de plantas conhecidas como “mangue-vermelho” ou “sapateiro” na região visitada, foi necessário que a equipe de campo se deslocasse sobre as raízes escoras. Típicas do mangue, as raízes da espécie Rhizophora mangle criam uma trama e chegam a atingir mais de dois metros de altura.

A concentração de raízes dificulta a movimentação em meio à vegetação. O deslocamento no mangue acaba se tornando mais lento, o que reduz a área visitada em um único dia.

Após o trabalho de campo, os estudos dos pesquisadores seguem para avaliar o impacto na dinâmica do ecossistema manguezal gerado pela deposição de lixo.

Confira mais imagens do lixo acumulado no mangue:

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